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Juntando os cacos depois da vergonha

Por Verdão Agora

A noite de ontem foi para esquecer. O Palmeiras caminhou para uma derrota humilhante: 3 × 0 para a LDU, fora de casa, e quem assistiu viu falhas atrás de falhas. É preciso apontar sem romantismo: o técnico Abel Ferreira e muitos jogadores abandonaram o nível aceitável de atuação — e o resultado foi este vexame.


A falha da comissão técnica

Abel Ferreira admitiu que o time “não esteve à altura da própria competência”. Mas simplesmente admitir não basta. Algumas decisões foram incompreensíveis:

  • Escalar um time despreparado para enfrentar a altitude e a intensidade da LDU. O adversário marcou cedo, dominou o jogo e praticamente liquidou a fatura ainda no primeiro tempo.
  • As substituições não surtiram efeito. As mexidas pareceram mais um ato de desespero do que uma tentativa real de reorganizar o time.
  • O discurso de que “90 minutos no Allianz Parque é muito tempo” soa vazio diante de tamanha passividade. Preparação tática e mental falharam de forma gritante.

Se o Palmeiras queria uma atuação à altura de semifinal de Libertadores, vimos justamente o oposto: desorganização, lentidão e ausência de agressividade.


O elenco que falhou no momento decisivo

Vários jogadores simplesmente não entraram em campo — ou entraram apenas fisicamente.

  • A defesa foi vulnerável e desconcentrada. O primeiro gol saiu com facilidade, o segundo por falha individual e o terceiro foi um retrato da apatia geral.
  • No meio-campo, o time foi engolido. Faltou intensidade, criação e capacidade de reação.
  • No ataque, nenhuma pressão real. Perdas de bola, passes errados e falta de fome de vitória.
  • A postura foi de quem parecia conformado com a derrota. Um time grande não pode entrar num mata-mata dessa forma.

O problema maior: identidade e arrogância

O Palmeiras parece ter acreditado demais no próprio favoritismo. A confiança virou soberba, e a LDU soube explorar isso com garra e organização. Abel Ferreira demonstrou falta de leitura e pouca flexibilidade — insistiu em ideias que claramente não funcionavam.
O discurso pós-jogo, cheio de justificativas, reforça a impressão de que o técnico está perdendo o pulso do elenco. O grupo parece desconectado, sem energia e sem liderança real dentro de campo.


E agora? O que resta

O prejuízo está feito. O Palmeiras perdeu por 3 × 0, e a classificação agora exige um milagre. Resta:

  1. Reconhecer o desastre — sem desculpas e sem blindagem.
  2. Cobrar postura, disciplina e foco de todos, inclusive do técnico.
  3. Recuperar o espírito coletivo e a intensidade que sempre marcaram o time.
  4. Fazer com que Abel mostre aprendizado e humildade, não apenas repita frases de efeito.

A derrota não é apenas um tropeço: é um alerta. O Palmeiras, que se acostumou a vencer, precisa lembrar que a camisa pesa apenas quando há entrega e organização. Agora, é hora de juntar os cacos da vergonha e provar que ainda existe um time capaz de reagir — ou se conformar em assistir o sonho da Libertadores ruir de forma melancólica

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