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Acabou a era Abel Ferreira

Por Verdão Agora

O Palmeiras perdeu para o Cerro Porteño por 1 a 0 no Allianz Parque e talvez essa tenha sido uma das derrotas mais simbólicas da era Abel Ferreira. Não apenas pelo placar, mas pela postura. Um time sem alma, sem criatividade, sem intensidade e completamente perdido dentro de campo. O torcedor que saiu vaiando ontem não estava apenas irritado com um tropeço na Libertadores. Estava cansado de assistir um Palmeiras burocrático, previsível e acomodado.

Abel Ferreira fez história no Palmeiras. Isso é inegável. Ganhou Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil e entrou definitivamente na galeria dos maiores técnicos do clube. Mas futebol vive de presente, e o presente do Palmeiras é preocupante. O time já não joga bem há muito tempo. As vitórias recentes mascaravam atuações ruins, um futebol lento e escolhas cada vez mais questionáveis do treinador português.

Contra o Cerro Porteño, ficou evidente mais uma vez a falta de repertório ofensivo. O Palmeiras teve posse de bola, mas não teve ideia. Rodava a bola de um lado para o outro sem agredir o adversário. Um time milionário, jogando em casa, dominado na vontade por um Cerro muito mais limitado tecnicamente. O próprio Abel admitiu que o rival teve mais inspiração e mais vontade.

E aí surge a pergunta que o torcedor começa a fazer cada vez mais alto: até quando Abel Ferreira vai viver apenas do passado?

As desculpas já ficaram repetitivas. Calendário, desgaste, lesões, arbitragem, gramado, convocação, viagem. Ontem, novamente, Abel citou problemas físicos e falta de energia do elenco após a derrota. Só que o torcedor quer soluções, não justificativas eternas. O Palmeiras parece um time acomodado, sem evolução tática e sem fome de vencer.

O mais grave é que Abel parece ter perdido algo fundamental: a capacidade de reinventar o time. Antes, o Palmeiras surpreendia adversários. Hoje, qualquer equipe organizada consegue neutralizar o Verdão. O futebol virou cruzamento na área, ligação direta e esperança em uma jogada individual. Não existe construção, não existe aproximação e não existe intensidade.

A torcida percebeu isso faz tempo. As vaias no Allianz não foram exageradas. Foram merecidas. A Mancha Verde chegou a protestar durante a partida dizendo sentir saudade de quando o Palmeiras jogava com vontade. E é impossível discordar.

Além da queda técnica, existe também um desgaste natural. Abel parece irritado, desconectado e muitas vezes arrogante nas entrevistas. A relação que antes era de idolatria começa a virar impaciência. Isso acontece com qualquer ciclo vencedor no futebol. O problema é quando ninguém dentro do clube tem coragem de admitir que o ciclo pode estar chegando ao fim.

O Palmeiras ainda tem elenco forte. Ainda pode ganhar títulos. Mas hoje joga muito menos do que deveria. E grande parte dessa responsabilidade está nas mãos do treinador. Abel Ferreira foi gigante, mudou a história do clube e merece respeito eterno. Mas respeito não significa imunidade a críticas.

O futebol do Palmeiras morreu faz tempo. A derrota para o Cerro Porteño apenas escancarou isso para todo mundo.

Talvez a pergunta não seja mais “se” a era Abel Ferreira acabou.

Talvez a pergunta seja: por que demoraram tanto para perceber?

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